Faz muito tempo que não vejo por onde passo,
Pelas sombras que vejo, no desenho que vai se remoendo,
Tudo é escasso, como a liberdade de um preso.
Mesmo que seja dia, o frio cinzento da madrugada me corta alma,
Corrompendo o pouco que sobra desse meu argumento.
Não luto mais por uma causa justa, só pelo que compreendo,
A felicidade é um poço, o desejo um balde a mais,
Cada vez que desce se enche de humildade,
Na verdade, viver é tirar das profundezas algo que mate a nossa sede.,
As marcas de sangue na estrada feita de cacos de vidro,
Que avançam em direção as estranhezas, durmo numa cama de pregos
Como um faquir, ou um poeta a imolar-se em sofrimento,
No fim não sei mesmo quem sou, o detentor ou o detento,
As pedras da construção ou o templo onde me consolo,
Reviro os olhos pela última vez nessa terra, não sou mais tão sedento.
Sou a rocha e o mar onde me arrebento, viro espuma, sou asceta,
Sou doce e salgado, o consumo de mim mesmo, o fogo da tocha,
Relativo e agourento como a luz do cometa que ilumina o universo
e termina onde começo, com sofreguidão, riscando o céu além de mim
Pobre coração, venha reatar seus votos sobre meu breve pesar.
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