domingo, 27 de setembro de 2009

O Fogo Brando Que Aquece A Alma

O fogo brando que aquece a alma,
Desperta um ensaio diário,
Dá-nos vida, seca nossa fragilidade,
E mantêm acesa a chama,

A alma é úmida,
Por isso nos aquecemos,
Nosso corpo é uma lareira aconchegante,
E nossa alma um abrigo para a intuição.

A beleza está em ouvir na distância,
Suas palavras como carícias,
Suas frases sopradas docemente ao vento,
Passando por instâncias,

Vales , plantações e paisagens,
Então esse silêncio me toca ,
Vem de longe varrendo os campos,
Assobiando canções,

Eu sou apenas um broto, oco adocicado,
Quando o vento passa
Pareço uma flauta,
Sou como um instrumento musical,

Vou tocando,
sobre a adversidade do tempo,
O sol e a chuva, e a vida passa ,
como uma triste melodia.

Ouve O Que Existe

Ouve o que existe, e então,
Abre uma janela, eu abrirei a minha,
Vi que as nuvens corriam ,
Carregadas, para o horizonte.

Já havia chuva nas poças,
E muitas lágrimas nos vendavais,
Quando o vento se anunciava ruidoso,
Saiba que nunca é tarde demais,

Entretanto a tempestade se escondeu,
Atrás de um monte,
Tão rápido quanto chegou,
Trazendo uma gravidez lasciva,

Com isso um dia brando e luminoso nasceu,
Cheio da vontade dos pedintes,
Realizando seus desejos,
A mesma tormenta que infesta os sonhos,

Daqueles homens que choram...
Há os que riem, porém,
A desgraça está no coração dos incapazes,
Os que não compreendem a vida.

Fios De Luz

Estamos nessa época,
Em que as folhas caem,
E os frutos estão maduros,
Enquanto que os douros dos fios
Que caem do céu,
Sem a sombra de nenhuma nuvem,
São para contrastar com o degrade,
No fim do dia,
Assim como chega o fim da vida,
Em que haverá somente um instante,
que abriremos os olhos,
Para o que existe
Além da realidade..

Sinfonia

Ah, o amor que sinto,
Entre versos traduzidos,
Colhidos de suas mãos,

Como flores, frescas
Numa ardorosa sensação,
De que sejas enfim,

Meu amor, meus amores,
cuide com carinho,
Ouça-o com muita atenção,

Basta que não fique sozinho,
Esqueça a porta aberta,
Deixe que entrem afinal,

Numa única voz,
Como uma bela sinfonia
repleta de amor.

Tristes Versos

Vou revendo meus tristes versos,
Escritos em folhas soltas,
Rasgadas ao acaso em meu caderno,

Folhas tristes e maltratadas,
Caídas no frio do meu inverno,
Liberando meus poemas,

Que são nossos,
Mal passados, as vezes assombrados,
Quando falam de coisas poucas e resumidas,

Em bilhetes de nossas vidas,
Em pequenas e rápidas anotações, saudosas,
Encontradas num lapso de memória..

Quero Apenas Revidar

Quero apenas revidar, encostar meus lábios
Selar os seus, numa noite cálida e intransigente,
Reverter meus temores em assombros,
De repente, num gesto inesperado de prazer.

Conheci tanta gente e muitos eram só palavras,
Outros apenas fantasmas de algo que perdi,
Somente uma alma como a sua poderia me querer,
Bater em minha porta e abri-la ao destino...

Não sei o que sou, entre o travesseiro e a cama,
Vejo as ruas e as pessoas sem discernimento,
À sombra das árvores nos parques, sem a grama,
E a distância que se faz no meu pensamento,

Onde cada momento sobrevive, sem se perder,
Como uma vitima cansada de suas escolhas,
E a falta do que seja necessário para sobreviver.,
Seja do outono a razão do cair de suas folhas

Seja Bem Vinda A Minha Poesia

Seja bem vinda a minha poesia,
Como a dor para quem sofre,
Amor, solidão, e nostalgia,
A mistura do caldo congruente,

Voltei a caverna,
Onde escrevi nas paredes,
Uma breve mensagem,
Rabiscada, pintada a mão,

Quando tateio na escuridão,
Sinto meu sangue como tinta,
Embora não tenha receio,
Que seja a morte de tudo ,

Quando se dissipa na energia
Para ser o alimento.
Depois disso, há de entender que
Nem o tempo será o mesmo.

Por Que Talvez Eu Saiba

Por que talvez eu saiba,
O que vai em sua alma,
Quero deixar-te insensatez,
Revelar-te com calma,

Na razão do meu desconforto,
Que seja como uma lição,
A página virada de um morto,
Uma dose de chateação,

De uma historia capitulada,
Que esteja em vão,
Por muito tempo guardada,
Em segredo, no seu coração,

Como um receio maltratado,
Unhado em desespero, furor,
Deixando exposta a marca,
Os arranhões cicatrizados

( De quem um dia amou)

Saber então que vai passar,
Ver o sentimento cauterizado,
Mas sentir bater em seu peito,
Um pobre coração infeliz.

Durante Algum Tempo

Durante algum tempo,
Ao meu amor apenas direi,
O que é vão,
Aquilo que deixei de viver,

Quero cuidar de mim,
Para que você se lembre mais
A cada dia,
Que jamais foi assim,

Dizer ao que você sofria,
Com cada momento inesperado,
Porém, quero encontrar
Em trôpegos sentimentos

Aqueles que aos poucos
Foram elaborados pelo caminho,
Tormentos incrustados no tempo,
Por isso sofro demais!

Não haveria motivo para voltar,
Amar é supostamente o cárcere.
Uma proposta permanente,
Apenas um modo de viver.

Devolvi Sua Carta

Devolvi sua carta, estou vazio,
Não tenho o pranto nem mais nada a dizer,
Sou formado pelas palavras que vou esquecer,
Apesar do tempo que faz lá fora, sinto frio.

Em meio a todas as noites, sou um pesadelo,
Procurando sonhar que não estou sozinho,
Triste sem o perdão de seu carinho,
A percorrer uma trilha por seus cabelos,

Porém, tudo que for verdade,
Transformará o sentido da ilusão,
Numa justificativa para cada noite sem sentido

Escrevi no pé da folha, sobre nossa paixão,
Um lembrete para me recordar a cada dia que vivo
Do meu amor que se sustenta na saudade.

Ao Recomeçar o Dia

Ao recomeçar o dia, com seu contentamento,
Quero devotar-me plenamente, e abrir a porta da casa
Deixar o que penso reencontrar cada momento,
Sorver das partículas o ar de cada palavra,

Respirar pelos olhos, como faço sem mesmo querer,
Quando espero prover cada oportunidade,
Permitindo-me somente em seu lugar perceber,
Num pequeno gesto do seu olhar a busca da felicidade,

Dizer que a poesia não pertence às palavras, e virtudes,
Não podem ser folhas mudas de um pedaço de papel,
Assim como sua melodia, são partes da plenitude,
Explicitas em cada sofrimento, espalhadas pelo céu,

Ou nas mazelas da alegria, descritas por um coração,
Como nuvens sopradas pelo vento podem ser inocentes ,
Algo bem maior que o próprio infinito; com discrição,
Pode então Deus absorver algo de que o poeta se ressente.

A Lua Seguiu Meus Passos

Ando nas ruas,
Pisando em poças nuas e reflexões,
Caminho e vejo flores
Regadas pelo meu tormento,

Eu sem você não falo,
Diante dessa vontade apenas me calo,
Vou viver sem amar,
Esquecer que tudo na vida é você,

O que eu posso fazer?
Corro, passo e vivo todo o sentimento,
Apesar da inconveniência,,,
Vivo acorrentado,

Todo meu passado,
Confunde-se com a chuva que cai,
Como no fim da tempestade,
O tempo se esvai.

Apenas a lua seguiu meus passos,
Atravessou o céu, abriu espaço,
Entre brumas transparentes,
Rente as montanhas,

Debaixo desse céu eu fico a expiar,
Uma mudança do seu intento,
Ate o fim do dia, assim que terminar.,
A mágica do tempo,

Atravessando Um Mar de Palavras

Li uma mensagem escrita em seus olhos,
Pôde assim um sentimento fluir sem ter nascido,
Como coube ao destino reter os meus passos durante a vida,
Igual aos laços de um sapato, desamarrado,
Vou continuar acordado quando finalmente dormir,

Uma fogueira pode queimar em vão sem nenhum sentido,
Viver é uma simples concepção,
No fim da vida liberto o sonho, encontro-me guiado por sua tez,
Sinto cheiro de mar, sigo sem nenhum plano,
Não existe nenhum pudor, vou navegando pelos horizontes,

Seguindo a linha que separa a terra do sol que se põe,
Não existem mais descobertas,
Todas as praias e areias dos continentes e ilhas estão desertas,
Os índios se foram, levaram toda paz e sabedoria,
Esconderam-se nas florestas, onde estão suas riquezas.

Tenho medo dos dias que são rumores,
Os que aplacam meus temores e transformam o mundo em paisagem,
Aqueles que separam a visão fugaz de uma simples realidade,
De sua fúria constante que leva a tempestade ao deserto,
E transforma montes de areia em miragem.

Quero poder te ver na distância de cada momento, em cada quadro,
Como árvores enfileiradas a beira de um canal,
A sombra que traz a luz , enquanto que, mesmo contida se move...
Águas que passam sem transparência, resguardadas pelo meu testemunho,
Cálidas, que já não são águas, e sim a passagem de mais um dia.

Lembra-me, que existe um lugar para os opostos,
Que nem todos verão o tempo passando por você, como não vejo
És o guardião do amor, receba-o como a um hospede, seu lugar é o coração,
Seja bondoso e hospitaleiro, saiba que amar é dar e receber.
É a indicação de que a verdade é um desejo da intuição.

A Sombra e a Escuridão

A suave brisa que se transforma em tempestade,
Procelosa, que se entrega ao vento ligeiro, ao trovão,
A balburdia da maré que leva os mares a solidão,
A vela decadente que sobrevive presa ao mastro,

O casco que vive submerso, na embarcação, rente as águas,
Sob o efeito da ilusão, do mar vê apenas o fundo!
de uma paixão o formar de suas ondas,
De navegar, o prumo dos ventos que arrancaram árvores,

Destroçando o ninho das aves que emigraram para terras distantes,
Sem o rumo, nem orientação das estrelas,
Condenadas a desolação e ao frio dessas rajadas,
Que vem do mais profundo rancor do oceano.

Silenciosamente, em paz, sem nenhuma injuria, se sustentam no ar
Assim como o amor de um coração partido,
Arqueado, como suas asas, segue o plano do destino,
atento aos sinais que o sofrimento causou em seu peito ferido.

Traz o amanhecer a bonança, retorna ao coração o sossego,
Pode então o mundo se redimir, sem esperar por vingança,
Encontrar na luz derradeira a compreensão e o entendimento,
O farol que nos guia, e nos aproxima da esperança.

Sobre o Tempo a Toda Hora...

Não sei dizer que tempo é esse,
que vem nessa névoa fria,
e cobre de nuvens o meu dia,
espalhando a chuva em várias direções.

Pode ser o ciclo que se fecha,
o fim de uma era, talvez, harmonia...
...e assim, por essa brecha, quem sabe,
eu possa ver o mundo,de forma veemente, (isso é amor)

Sei o que acontece quando a chuva vem,
o sol se esquece do dia,
e se cobre de nuvens preguiçosamente,
as vezes acorda e se lembra do que faria

Abre a sua própria janela e ve o mundo lá fora,
desperta com enorme euforia,
mas o dia passou, é tarde agora,
e ele volta para seu colchão de nuvens

Solidão a Dois

Essa pequena relação que nós temos,
Eu e você, em cada momento,
Me faz crer na dor, no sofrimento,
Uma coisa pequena que ficou.

Vem você de tempo em tempo,
Num descaso me afligir,
Nem sei mais o que penso,
O que me resta é ter você por aqui.

Somos

Somos pequenos seres enfim,
Voando a noite num jardim,
Buscando suas luzes

Que se acendem e apagam,
E voamos de uma para outra,
Tentando alcançar a lua,

Num reflexo, numa poça no chão.
Entretidos num canal de televisão,
Buscando as luzes das igrejas,

Santos votos em comoção,
Onde a fé convive com a incerteza,
E o tépido fervor,

De se entregar a esse pseudônimo,
Enquanto se apaga vagamente,
Nossa inquietante luz interior.

Tão Antigo Quanto o Tempo...

Tão antigo quanto o tempo é o meu desejo,
Quero tê-la enquanto penso, em cada momento.
Absorvê-la, por inteiro em sua necessidade.
Preencher seu mundo com desprendimento...

E quando entardecer, ver somente o sol partir,
Deixando a natureza de nossos segredos compartilhados,
Tão humildes e verdadeiros, bem guardados,
No semblante de tantas ilusões.

Tardes De Primavera

A tarde cai vazia sobre nossos desejos abrandados,
Do pequeno jardim vinha o perfume da lavanda,
O calor do sol descansava no telhado,
Lembro daquele dia, debruçados na varanda,

A tarde perfeita à sombra dos muros caiados,
Nós éramos tão pequenos diante do mundo,
Que de paixão nos rendemos, sobremaneira àquela paz.,
Você sabe que jamais foi uma promessa,

Ater-se diante da luz filtrada no horizonte,
Atravessar a ponte que leva nosso amor de volta para casa!
Somente olhar tardes iguais era nossa promessa,
Sentados todos os dias, com sua cabeça em meu colo,

Vi o tempo se enterrar no solo, como uma semente qualquer,
Brotar lentamente sem trazer nenhum fruto.
Durante esses dias, triste, o sol pulava o muro novamente
E se escondia, parecendo que tinha um nobre sentimento.

Lições de vida

Encontrei nas vagas,
Pequenas respostas,
Soluções que o mar dá a areia.

Por que bates em mim?
Responde sem fim o mar,
E vai batendo....

Mulher Augusta

Se fores a mulher augusta,
Feita de sombras e cicatrizes,
Que o destino lhe afronta,

Aquela que não colhe as rosas,
Mas as recolhe por seus espinhos,
Com vestes nobres e suntuosas,

Essa, não feita em poesia,
Feita, toda ela, em prosa,
Além, bem distante de mim,

Quero cuidar de suas feridas,
Feito pragas ressequidas,
Que vez por outra ao coração te volta.

E prometer amar-te,
Desvencilhar-te desses tolos momentos,
Que ao acaso vislumbram nuvens,

Que se vão com os ventos,
A pernoitar na densa e escura noite
Sôfrega de sua própria inquietude,

Uma tênue e vaga lembrança,
Fincada na terra à miúde,
Esperando perigosamente a hora de renascer.

No Silêncio Dessa Noite

No silêncio dessa noite, deitado sobre a relva,
A lua intensa banha meus pensamentos,
Um emaranhado pretenso, perdido nesta selva,
Sem meu consentimento,

Quero livrar-te da tristeza pois não existem mágoas,
No brilho dos seus olhos vejo meu reflexo,
Onde me movimento andando sobre as águas,
Meus pés caminham em sua direção.

Com minha mão construo casas, supondo que seja assim,
Um desejo de entrega, onde não existe comunhão,
Embora fuja da realidade, meu amor se eleva,
Tento supor que tem asas, custo a crer que me carrega.

Grito, enquanto vou para longe, para as portas do céu,
Piso em nuvens macias, feitas de retalhos da minha vida,
Pequenos fragmentos do meu coração que calçam este caminho,
As vezes duro como granito, as vezes frio como o mármore,

Afastado das sombras, contemplo a raiz dessa árvore,
Aquela que me da frutos, onde me encontro sem sofrimento,
Descobrindo que o inferno é frio e meu coração é quente,
Não mais que desprendimento, não mais que um sobrevivente....

Nuvens de Sonhos

Houve um tempo em que ele riria
Pois não era sonho, eram nuvens de sonhos,
Travesseiros de poesia.

Poeira tardia, numa estrada que custa a se desenrolar.
Um céu escuro, uma doença vazia,
A calma doentia que teima em nos esperar.

Ao recostar a cabeça num esboço de ilusão,
Num ímpeto de razão ele divagou sobre o amor.
Numa ùnica tarde morreu de dor.

Renasceu a cada dia e foi ao léu,
Na pressa de se encontrar ele se perdeu,
Esqueceu ironicamente de si mesmo.

Não sou eu quem chora o choro dos incompreendidos,
A solidão é uma voz que canta,
Enquanto nos sonhos ainda somos preteridos.

O Asceta

Faz muito tempo que não vejo por onde passo,
Pelas sombras que vejo, no desenho que vai se remoendo,
Tudo é escasso, como a liberdade de um preso.
Mesmo que seja dia, o frio cinzento da madrugada me corta alma,

Corrompendo o pouco que sobra desse meu argumento.
Não luto mais por uma causa justa, só pelo que compreendo,
A felicidade é um poço, o desejo um balde a mais,
Cada vez que desce se enche de humildade,

Na verdade, viver é tirar das profundezas algo que mate a nossa sede.,
As marcas de sangue na estrada feita de cacos de vidro,
Que avançam em direção as estranhezas, durmo numa cama de pregos
Como um faquir, ou um poeta a imolar-se em sofrimento,

No fim não sei mesmo quem sou, o detentor ou o detento,
As pedras da construção ou o templo onde me consolo,
Reviro os olhos pela última vez nessa terra, não sou mais tão sedento.
Sou a rocha e o mar onde me arrebento, viro espuma, sou asceta,

Sou doce e salgado, o consumo de mim mesmo, o fogo da tocha,
Relativo e agourento como a luz do cometa que ilumina o universo
e termina onde começo, com sofreguidão, riscando o céu além de mim
Pobre coração, venha reatar seus votos sobre meu breve pesar.

O Tempo É Necessário?

Caminhei de encontro ao tempo,
Como quem esquece de sua necessidade,
Assim como o sol pode nascer sem raiar,
A realidade é apenas um sintoma do dia.

Disse que ao pensar eu queria, apenas, muita paz,
E me lembrei da sua tristeza , ninguém merecia,
Quis então que ficasse aqui comigo um pouco mais,
Nessa brisa que esse momento me traz.

Coleciono saudade, espalhada pela casa,
Em cada vidraça, em cada momento de prosperidade,
No olhar que atravessa o quintal, na varanda.
Ela está no regar de cada planta....

A saudade faz nascer dentro de mim,
Aquele pensamento de que a verdade é uma causa boa,
E sobrevive, de repente, no fundo da memória
Crescendo como um sorriso inexistente..

Poema Para Aquele Que Nunca Sofreu

Aquele que não precisa de consciência, necessita de ressentimento
Se você tem sede, beba dessa água, a fonte é limpa,
Um poço, uma fenda nas entranhas do tempo,
Sobre os cumes brancos das montanhas serão o sinal dessa incidência.

As pedras precisam de milhões de anos para tornarem-se preciosas
O metal ser derretido para se purificar,
Até mesmo o ouro para reaver sua integridade...
Nada é mais importante do que o útero a vida em seu crescimento,

Para nascer encontramos seu significado, e também o perdão
Esteja consciente quando sofrer. Se meu peito dói,
Reconheço que tenho um coração!
Só agora posso ficar em silêncio e descobrir o que está dentro de mim,

Se orar olhando para algo distante perceberei o que está fora.
Uma síntese, um paradoxo, em não se coincidir no olhar de cada um..
Pensamento feliz é estar caminhando de encontro ao sol,
E perceber que a sombra que você perseguia é sua seguidora.
.
Quando estamos sós, e não nos reconhecemos, esta é nossa pobreza,
Digo para mim confiante, estou vivo, eu me encontrei!
Ao tirar da terra os pés desnudos e caminhar em pleno ar
Esse é o motivo de comemorar, estar num lugar que parecia distante.

Para atravessar o nível das águas duas margens são necessárias,
Elas delimitam um rio, só assim, então, poderemos criar uma ponte!
Sem uma das margens será impossível.pensar em algo para não vadear,
Que nos leve a vagar seguramente além de onde estamos.

Poema Sem Pé Nem Cabeça

Tome de assalto seu coração,
Roube as coisas mais preciosas,
Deixe-o vazio,
Como um cofre roubado,
Mas não o deixe sem segurança,
Não precisas de coisas horrorosas,
Rumores de ódio e vingança,
Põe à descoberta que sentes frio,
Sem amor o furor fica vazio.
Deixa-o assim por um tempo,
E verá o que há de mais precioso,
O mais gostoso está em si,
Algo do que se libertar.

Pormenor

Quase esqueci de um pormenor,
Você me entregou seu segredo,
Agora tenho medo, não sei o que fazer,

Pensei em te dizer o que era óbvio,
Quando a chama acesa queima o peito
E reina absoluta em seu pensamento.

Em meio à distinção que faço,
Está em teu seio a paixão,
A dor que você não revela em comunhão,

Implícita na rima de sua poesia,
Em paz, tão inserida, que se desfaz,
E oculta-se apenas em sua sedução.

Tens um sorriso que me mata de preocupação,
Quem é feliz nesse momento, aquele que toma
Ou aquele que se dá a tal sentimento?

Quase Um Soneto Do Que Prometo.

Prometo amar-te docemente,
Plenamente, em minha decisão de acompanhar-te,
E antes, com a paixão de quem ama,
Revertendo a corrente que flui em meu peito,

Quero estar refeito ao viver nas linhas de um soneto,
E amar demais , até inconsciente,
Acordar pelas manhãs sem ter que jamais,
Pedir perdão por te amar,

Pois meu coração clama, um desejo perdido,
Não existe razão para sonhar, num mundo substancial,
Onde as palavras tem a noção do meu carinho,
Sobre o amor que tive um dia. a pretensão de lhe dar.

Não mais que um grão escolhido na areia,
Segue o fluxo em minha veia, um rio vertendo sozinho,
Como lágrimas na chuva se perdem no interior da vontade,
Vou estar em casa para ver o tempo passar.

Observando todas as estações dentro e fora de mim,
Para que nunca, nada jamais seja enfim,
A renovação que uma vida inteira necessita,
Enquanto à porta, entreaberta, o tempo bate querendo entrar.

Revoada

Quero acordar nesssa manhã ensolarada,
Feito revoada, que ao meu passo seu som ecoa,
Nas paredes dos edifícios, nos becos,
Meu corpo tão leve voa, de encontro ao seu.

Quero dizer-te, numa tão linda poesia,
Que ao findar meu dia, no espaço dos seus braços,
Quero encontrá-lo, que seja porventura,
O amor de alma pura, aquele que te deseja,

Branda, linda e suave, contida em meus versos,
Numa linha perdida, entre o início e o fim,
Quero, enfim, que seja as asas que ouço na revoada,
Liberta e amada, e encontre em meu peito,

Aquilo que esteja refeito do sonho de sua procura,
Ao deitar-te ao meu lado com ternura,
Desfeita de suas crenças, encontre a paz do meu amor,
Que nunca se desfaz, no infinito de todo sempre.

Separando a Escuridão

Sem o foco da luz, que separa a escuridão da claridade,
Quero pedir que me livre, enquanto posso distinguir o sonho da ilusão,
Dessa cegueira, deixando que a vida perceba que estou acordado,
A cada dia vejo com mais clareza todo amor que é dado,

Neste mundo que me acolhe, e cuida de mim,
Igual a uma criança que nasce inocente, em comunhão com o universo,
A natureza deseja em sua simplicidade, ser o cosmos e não o caos
Algo coerente, sobrenatural, que da a certeza de sermos livres.

O sol nos da uma mensagem diária, a fé é necessária para trazer a luz,
E afastar as nuvens escuras dos caminhos que virão,
Não basta ter coragem, para renascer a cada dia, é preciso ter amor,
Um alimento interior, o fogo, pois ninguém vive só de pão.

Neste processo posso engravidar das coisas puras, dos belos sentimentos,
Gestar um filho, entre nuvens e céus azuis, com seu consentimento,
Um ser resguardado, que jamais pergunte, quando não puder enxergar
Com que se parece o que nunca lhe foi negado.

Sinestesia

Eu estava lá quando a lua caiu do céu,
Flutuou lentamente pelas matinhas,
Com seus lumes de sinestesia,
Imitando os vagalumes.
Me lembrou,
O prato que sossobrou,
Sopa de legumes e letrinhas.
Na hora do almoço faço poesias,
Escrevo qualquer coisa que me escapa.

A Espada e a Alma de Um Samurai

Nesse momento faço uma pausa, em palavra e conduta,
O aço de melhor qualidade se adéqua a forja, seduz a lamina, a luta..
Um guerreiro se entrega a sua causa, sem pensar em sua liberdade.
Um misto do que é o dever e a continuidade de seu pensamento.ser o caminho
Pode então o metal tirado da terra contorcer-se no calor, na chama,

Ser moldado, trabalhado e tornar-se assim a katana,
Um fio de nada que jamais ao solo, se for um dia jogada,
Encontrará em outros metais os seus irmãos, de forma a não mais se perceber,
Dizer-se transformada, pois já não existe como metal e sim como espada,
E seu interior, material, não importa quantas vezes tenha sido modificada,

Nem o número de batalhas travadas,
um dia se dissolverá no que existe de divino, o próprio tempo....
O galho , o tronco altivo na floresta, sendo amanhã uma haste, uma viga,
Um pedaço de pau, será sempre a madeira que mudou de forma,
Um dia consumida pelo fogo que há dentro dela,

Assim como o samurai continua a ser o homem, vivo ou morto,
Até que se finde, e torne-se unidade com todas as coisas,
Sem compreender o que se passa num instante, que chamamos de uma vida.inteira,
Vendo que nada termina e tudo começa, existindo somente uma continuidade.
Onde se encontra a ruína descobrimos a força que um dia ergueu os portais,

Ela ainda existe no inicio e no fim, só ela é portadora da sabedoria. Extrema
Que enaltece o que cresce, quando antes beneficiava o que decaiu,
Na verdade a alegria de viver e de crescer é tão estúpida quanto a dor de abater-se,
Então guerreiro, depois de tantas lutas, sustente a luz,
e compreenda as sombras do que foi.

A Gata Escondida Com A Cauda De fora!

Eu posso acordar um dia,
Quando me tiras o ar.
E te procurar em minha poesia,

Sabendo o quanto padeço,
de ouvir suas palavras, e não te encontrar,
E juro(!), que jamais esqueço,

Que troquei você de lugar.
Seu amor era tudo mais que um enredo,
Tornou-se o brilho do meu olhar,

Abrigando um coração em segredo,
Quando eu mais precisava acreditar no que é divino
Trancafiado em meu medo,

Varando a cortina de tecido franzino
Era assim que via o sol entrar pela janela,
Transparecendo o corpo fino,.
(e sua alma tão bela)

Não era o mundo a que você pertencia,
Habitar somente a liberdade dos meus pensamentos,
Sem que se tornasses parte deles a cada dia...

A Natureza dos Sentimentos

Penso em ti, como o amor acima das ondas,
o mar levado pelas tormentas,
e o vapor que é exalado pelo deserto.
Eu sou a ausência da chuva, as contas do colar,
a água precipitada de modo incerto.

Assim que se cala, abranda a alma e se desfaz..
Goteja o orvalho, impele a brisa nos campos,
transforma o dia sem cor, irradia luz...
...e mesmo assim é o mais triste dos sentimentos.
queria tê-la ao meu lado por um só momento

A Tensão, Um Haicai do Raymundo e Água fresca

Quero estar desarmado, nenhuma luta vai me iludir,
Apenas vou sorrir, deixando meu corpo desamparado,
Nesse imenso campo de batalha,

Vou morrer nesta manhã, de saudosismo, preso nessa malha,
No lirismo de Volpi, entregue as suas bandeirinhas,
Um pequeno flash de fantasia.,

Até me conscientizar de que a vida não é nada.
Viver é dissolver a estrutura da alma na amplidão,
Concretizar o espírito, deixar-se abater.

Ler um haicai de Raymundo ajuda a sobreviver,
Desalinha a tensão que o dia impõe, feito um gole de água fresca!
Como uma fonte perdida no fim do mundo,

É capaz de ser a origem sinuosa do rio, que deságua no mar!
Pelo puro prazer de se entregar a batalha, um anjo como eu,
Perdeu suas asas, nessa tortuosa trilha,

Frente a uma lamina que brilha, e queima como fogo,
O orgulho confessa ser um pecado grande demais para o meu coração,
Inerente as pegadas perdidas no chão, que deixei rumo ao infinito.

Dó Menor

...rabisquei uma linha reta,
que passou direto pelas entrelinhas
não foi nem um pouco discreta,
quando terminou numa curvinha...

Folhas Que Caem Em Silêncio

Em meio ao meu solo interior,
Existe um campo insensato,
Devotado a dar vida àquilo que e suscetível.

Em alguma tarde perdida,
Nesse imenso campo, chegou uma nova era,
Nascida de uma semente que cultua a vida,

Nesse dia o sol deixou de se pôr,
Transformou-se numa sensação permanente,
Regida somente pelo seu amor.

Nesse lugar existe espaço para pedir perdão,
Para aproximar-me de ti, virar as folhas que caem
no silêncio de sua reflexão.

Pode ser o amor germinando gentilmente
Gerando a flor desse solo renovado,
Pacientemente, pela sua imensa compaixão

Harmonia

Seja como o broto do bambu, que se dobra ao vento,
A relva, em sua simplicidade,
Como a partícula que compõe a areia,
Ou a gota salgada para o oceano,
Sabendo que em tudo existe um plano consagrado.

E no que existe de divino a harmonia intocada está presente!
Faça de sua vida uma lição,
Do bambu que se dobra com as tempestades,
Do seu coração a relva simples que habita o campo.
Em seu mundo seja o grão, a contraparte, o contratempo!

Mas não seja apenas mais um,
Transforme-se naquele que se é a areia,
Assim como as cordas do violino se transformam em música,
Seja conformidade, para um dia, ser levado de encontro ao mar,
lavado em seu cerne, com a força e a pureza das ondas...

Junte-se às gotículas que se dispersam,
Pela brisa que sopra, e quando estiver no ar,
Vai poder compreender o sentido da vida,
Como um pequeno grão de areia pode mudar uma montanha,
E aí já será o ar a compor o espaço, em toda sua vastidão.

Intuição

Dentro existe um breve
E pequeno momento,
Desperto em luz, fogo e sofrimento.

Como o sol no deserto,
Se abre em movimento,
A aranha tece a teia,

Ele queima a areia,
Que a nova manhã empalidece,
E se refaz de nascer a cada dia,

Sobrepondo-se ao tormento,
Ele ouve a voz que dita,
Seus passos no silêncio da noite.

Mudança de Estação

Quando o lago a minha frente se tornar um espelho,

E refletir além dos meus sonhos, as nuvens que pairam no ar,

Então meu amor, você saberá, o quanto é importante ,

Deixar que esse encanto se junte ao vento e te leve para o mar,


Como pode uma criança ter sabedoria em sua inocência,

E carregar durante sua existência uma troca de pele, como estações,

Incoerente com seus desejos, deixar que transformem seus puros corações,

Pois eu tenho medo dessa mudança...


Pegue minhas mãos, e me leve para passear, nesta paisagem que você criou,

Não se vire para me olhar, ficarei imaginando que estou seguro,

Pensando no quão suave e maduro é estar ao seu lado.

Saiba meu amor que não sou nada nesse meio tempo de nossa viagem.


Leve um pedaço de mim para as montanhas, com uma pá de cal

E deixe esquecido, deixe jogado, bem próximo a um abismo,

Essa parte das minhas entranhas que se tornaram suposições.

Talvez assim, desprendido de minhas razões, não possa mais te fazer mal.

Os poemas aqui editados estão protegidos pela Lei de Direitos Autorais, inclusive o Título do Blog que é o Título do Livro. Autoria João Domett.